Não se preocupe, muita coisa pode (e vai) mudar!
As ideias de como trabalhar com a arquitetura podem mudar com o curso da faculdade e é isso que vale a pena, não acha?
As ideias de como trabalhar com a arquitetura podem mudar com o curso da faculdade e é isso que vale a pena, não acha?
Em uma perspectiva política, o solucionismo tecnológico está intimamente ligado com o neoliberalismo. Se o neoliberalismo é uma ideologia proativa, o solucionismo é reativo.
Nós precisamos estar mais atentos às pessoas do que a arquitetura, elas são peças chaves e temos que observar o comportamento delas dentro dos projetos.
O ensino ambiental deveria estar presente desde a formação inicial, por isso são importantes as ações do GIA.
O Lins Arquitetos Associados foi fundado lá em 2011, há quase dez anos. Filhos de pai arquiteto, seguimos assim que nos formamos, caminhos diferentes, mas resolvemos a partir desse dia juntar forças e seguir adiante. Muitos anos depois, em 2018, inauguramos nossa sede física em Juazeiro do Norte. No nosso espaço, além do escritório de arquitetura, temos uma pequena praça em volta de uma macaubeira que chamamos de Espaço Macaúba. Um local onde promovemos palestras, debates, mesas redondas, enfim, conversas sobre arquitetura, urbanismo e arte.
Sempre em busca de entender nossa arquitetura, criamos o “Jovens Arquitetos no Nordeste”, para descobrir o que nossos colegas de outros estados estão produzindo. Já realizamos a etapa Ceará e a etapa Paraíba, e para este ano queremos fazer mais outras duas.
Como arquitetos nordestinos, cearenses, do sertão, para nós sempre foi muito claro que para projetar nessas terras precisamos entender exatamente o que ela representa. Acreditamos que uma boa arquitetura tem que se adequar ao lugar onde ela está inserida, e estamos inseridos em um clima semiárido, só para começar. Vivemos em um lugar extremamente quente, portanto precisamos nos valer de várias técnicas de arquitetura bioclimática para suavizar o calor, sem consumir muita energia. Ao mesmo tempo, temos a chance de filtrar a luz do sol, tirar partido dela e transformar ambientes só confortáveis termicamente em ambientes confortáveis e com poesia!
Outra coisa muito importante para entender, é que vivemos em um lugar de poucos recursos, seja ele financeiro ou natural, como a água. Isso nos gera outra diretriz, como utilizar materiais baratos nos edifícios e projetos paisagísticos com vegetação nativa, como mandacarus, palmas, chique-chiques. A cultura sertaneja é outro ponto bem importante. Como ignorar a enorme vocação religiosa do nordestino, com suas “salas dos santos” ou a famosa rede na varanda?
Com todas essas diretrizes projetuais, resolvemos nesse ano, nos aprofundar ainda mais nas nossas pesquisas e criamos o LUS (Laboratório do Universo Sertanejo), como mais uma maneira de tentarmos entender nossa realidade e assim termos mais ferramentas para projetos com identidade. E como mais uma forma de reforçar nossa representatividade, nos apropriamos da frase “o sul é meu norte”, do artista uruguaio Joaquin Torres Garcia, que em 1943, desenhou a américa de “cabeça pra baixo”, mostrando pro mundo uma outra perspectiva. A partir disso resolvemos indicar nos nossos projetos sempre o Sul, e não o Norte como é institucionalizado. Sim, vamos de encontro a normatização. Sim, isso é um ato político.
E assim, cheios de dúvidas, cheios de certezas, continuamos a busca dessa arquitetura nossa, nordestina, cearense, sertaneja. Talvez nunca a encontremos, talvez nunca acharemos a resposta correta para todos os questionamentos. Mas a graça está aí… Seguimos buscando.
ARQUITETOS, Lins. Em busca da nossa Arquitetura. Projeto Batente, Fortaleza - CE, 23 de março de 2020. Arquitetura e Urbanismo. Disponível em: <https://projetobatente.com.br/em-busca-da-nossa-arquitetura/>. Acesso em: [-dia, mês e ano.-]
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