Arquitetura tem realmente tanto cálculo quanto falam?
Será que a faculdade de arquitetura tem tantos números e cálculos como algumas pessoas realmente dizem?

No período de férias, muitas pessoas acabam se encontrando com familiares para comemorar as festividades, e nisso me veio uma frase muito interessante sobre o que as pessoas pré-julgam em arquitetura. Não deveria ser muito difícil, afinal é uma das profissões mais valorizadas, com algumas condições de salário um tanto privilegiadas, e ainda temos um peso nas nossas ações, pois temos grande parcela nos planejamentos de cidades. Mesmo assim, muita gente não entende o que realmente é a faculdade de arquitetura.

O que eu mais ouvi constantemente foi, “Mas arquitetura tem muito cálculo!”. Toda vez que eu ouço falar nessa frase, eu me pergunto se eu realmente estou aprendendo coisas como integral, estatística ou qualquer outro grande assunto desse ramo.

Das faculdades que pesquisei sobre arquitetura e urbanismo do Ceará, apenas 1 das 5 tinha, de forma consistente, uma cadeira de cálculo até o 6 semestre. Não é o cálculo que é importante, são medições. Óbvio que mexemos com soma e área, mas essencialmente não chega a ir muito além disso. Se realmente fosse um grande setor de cálculo, o nome não deveria estar mais ligado a engenharia? Existe sim uma vertente de politécnico na arquitetura, mas é uma vertente muito específica. Mas para não dizer que não tem cálculo, as faculdades oferecem cadeiras optativas como “Cálculo para arquitetura e Urbanismo” e “Estatística para urbanismo”.

Maquete Eletrônica.

Se comparar a grade curricular da UFC de 1981 e da de 2012.2, é muito fácil ver de onde vem esse grande mito dos cálculos na arquitetura de hoje em dia. Para os de 1981, você tinha apenas cadeiras referente a cálculos, medidas, comunicação e expressão, técnicas de materiais e por aí vai. “Introdução a Arquitetura e Urbanismo” era apenas no 3° período, e o “Projeto Arquitetônico I” era apenas no 4° período. Apenas a partir do 6° Período se parava de ter cadeiras com cálculos (exceto optativas). Certamente tem como entender de onde vem tais pensamentos sobre “arquitetura tem muito cálculo.

Se comparar essas duas grades, arquitetura é uma faculdade muito mais aplicada a humanas e pensamentos sociológicos do que a matemática pura. Apenas usamos matemática para fazer alguns cálculos e fórmulas básicas, não é nada que uma boa pedagogia sobre o assunto não possa ensinar. Coisas como Fórmula de Blondel (cálculo da escada), Cálculo de rampas em %, coisas como cálculo de área feitos por computador ou formas geométricas básicas, medidas em centímetros, metros, quilômetros… Isso faz parte da grade curricular de arquitetura hoje, e vai ser algo que é usado tantas vezes que o difícil vai ser esquecer.

Formula de Blondel

Hoje existe apenas uma cadeira de cálculo constantemente usada em diversas universidades, que é “cálculo estrutural”. Ele é o cálculo da dimensão de elementos para sustentar elementos construtivos. Algumas faculdades tem entre uma e duas cadeiras sobre esse assunto, alguns até três. Entretanto ele é específico para Arquitetura, o curso na área de construção que é conhecido por não ter cálculo. Da experiência que possui, tivemos pré-dimensionamento (aproximação da área e volume de pilares, vigas e lajes em relação a uma construção), análise estrutural (entender como é feita a análise estrutural), e a produção de uma viga, além de projetar usando um tipo específico de material estrutural. Certamente eu usei mais cálculo de rampa, escada e coberta do que eu usei nos materiais, isso porque são coisas básicas. Lembrando que, como arquitetura é um curso de poucas provas escritas, acabam que, dependendo da docência, não é necessário fazer uma prova sobre decorar fórmulas estruturais, e mesmo que fosse, os cálculos são básicos, e muitas vezes são usados programas que nos ajudam a calcular e entender sobre o processo estrutural que acontece em uma construção. Certamente não é uma cadeira pelo qual vi alguém trancando o curso.

A docência de arquitetura pós 2010 virou algo muito mais de medidas e humanas do que cálculo. Só possui cadeiras essenciais de cálculo que vão ao ramo de construção, e são vistos de formas muito superficiais. Fora isso, a arquitetura no Ceará tem foco muito mais sociológico do que numérico, e a tendência é ter cada vez menos cálculo. Mesmo se você estiver querendo mais cadeiras assim, as optativas ajudam nisso, e nada impede de aprender fora da faculdade por livros e outros cursos. Ainda assim, arquitetura usa tão pouco de cálculo que não consideraria algo marcante na grade de hoje em dia.

Como Citar essa Matéria
CRUSH, Anderson. Arquitetura tem realmente tanto cálculo quanto falam? . Projeto Batente, Fortaleza - CE, 27 janeiro de 2020. Arquitetura e Urbanismo. Disponível em: <https://projetobatente.com.br/arquitetura-tem-realmente-tanto-calculo-quanto-falam>. Acesso em: [-dia, mês e ano.-]
Anderson Crush
Estudante de Arquitetura
Sou um estudante de arquitetura no meio de um mundo em constante mudança; Acredito que todas as artes estão ligadas de certa forma. Apaixonado por música e jogos desde pequeno, estive sempre ao lado da arte, e quero retribuir o que a arte fez comigo.

Anderson Crush

Sou um estudante de arquitetura no meio de um mundo em constante mudança; Acredito que todas as artes estão ligadas de certa forma. Apaixonado por música e jogos desde pequeno, estive sempre ao lado da arte, e quero retribuir o que a arte fez comigo.

5 thoughts on “Arquitetura tem realmente tanto cálculo quanto falam?

  • 28/01/2020 em 10:41 pm
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    Para José Garcia Lamas, são três os princípios básicos da arquitetura: função, construção e arte. É claro a diminuição da importância do cálculo e da matemática em si na área de arquitetura, mas este fato deve ser revisto. O objetivo final da concepção é a arquitetura, ou seja, a forma, a qual está ligada intimamente com o desenho. Mas… como posso ter domínio do desenho de uma forma se não domino esta forma? Forma concreta, sólida e real que é a arquitetura. Como posso criar um vão de 74 metros como o vão do MASP, de Lina, se não tenho domínio físico daquela forma? Como poderia sugerir uma estrutura atirantada sobre o ar como o Centro de Exposições do Centro Administrativo da Bahia, de Lelé, se não consigo calcular os valores necessários?
    Portanto, é necessário e de grande importância para um arquiteto o conhecimento e o domínio sobre as formas que dão origem a arquitetura. Isso garante uma enorme liberdade construtiva e inúmeras soluções para se resolver os problemas que surgem ao longo do projeto. Tudo isso é conseguido por meio do nosso interesse, como estudantes de arquitetura, nos livros de estrutura, nos cálculos mais complexos e no foco em descobrir todas as possibilidades de uma forma em nossa arquitetura. Claro que o computador nos ajuda, mas nada como um papel e lápis para fixar tudo isso pela eternidade, na nossa mente e no nosso traço. Como o escultor catalão Xavier Corbero dizia sobre si mesmo, “(…) o que tento fazer não surge da razão, vem da própria vida. Uso a razão para construir as coisas de modo a não caírem aos pedaços…”. No final das contas este é o pensamento que busco explicar. A arquitetura e a razão do exato e do que pode ser calculado jamais devem se desvincular, pois a verdadeira arquitetura busca vida e expressão por meio do que é concreto… para que seja concreto precisa se erguer, e necessita do domínio da forma estrutural, pura e clara.

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  • 05/02/2020 em 4:51 pm
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    Certamente Raony!
    Para ser bem honesto, não gosto da mudança que a arquitetura leva de puxar um lado mais humanitário, desvalorizando o lado matemático. A construção de qualquer elemento que existe se baseia 100% em matemática, e algumas áreas levam uma maior ou menor parcela na área humana. A história é contada por pessoas e seus conflitos, mas qualquer ferramenta tem uma marcação muito grande com a matemática.
    Fico preocupado até na área de jogos, onde vejo cadeiras e cadeiras com pouca enfase em programação e matemática, uma área 100% dependente de programação e matemática, e arquitetura leva muito isso.
    Sinto muita saudade de estudar matemática antes de chegar ao ensino médio, até já cogitei engenharia, mas o equilíbrio da arquitetura me atrai muito mais. Não é a toa que usamos a matemática para raciocinar como vamos calcular uma construção para o uso humano, e como viabilizar para tornar isso em prática!
    Muito obrigado pelo comentário.

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  • 16/08/2020 em 6:49 pm
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    Meu amigo me disse que a maioria das pessoas do curso de arquitetura que ele fez se formaram em paisagismo e decorador, e que é quase uma mentira que arquitetos usam MUITO cálculos.

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  • 16/08/2020 em 7:17 pm
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    Eu tenho um amigo que fez curso de arquitetura, ele me disse que é quase um mito que um estudante de arquitetura se preocupa com cálculos, e que também a maioria dos estudantes se formaram em paisagismo e também decoração

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  • 16/07/2023 em 10:41 am
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    Eu adodadria, este e o meu curso favorito no mundo agora pretende estudar nas grandes universidade do mundo como por exemplo, a china e a minha favorito do mundo , muito obrigado a todos voces que fez este curso tao famoso.

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