Parte 1: O Impacto do Excesso de Carros e o Futuro das Cidades  A fila de carros do mundo já daria quatro voltas até a Lua – mas será que esse caminho nos leva a um futuro sustentável?
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Parte 1: O Impacto do Excesso de Carros e o Futuro das Cidades
A fila de carros do mundo já daria quatro voltas até a Lua – mas será que esse caminho nos leva a um futuro sustentável?

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O mundo está se tornando cada vez mais populoso. Atualmente, a população mundial ultrapassa os 8 bilhões de pessoas (Fonte: United Nations Population Division). Ao mesmo tempo, a quantidade de carros no mundo cresce de forma acelerada. Segundo a International Organization of Motor Vehicle Manufacturers (OICA), já existem mais de 1,4 bilhão de veículos no planeta desde 2021. Isso significa que, para cada 5,7 pessoas, há um carro. Se colocássemos todos esses veículos em fila, ela poderia se estender até a Lua e voltar cerca de quatro vezes!

Agora, vamos refletir sobre esse dado. Enquanto a quantidade de carros no mundo cresce a passos largos, a realidade de acesso a esses veículos é extremamente desigual. Embora para cada 5,7 pessoas haja um carro, é importante lembrar que uma grande parte da população mundial – especialmente em países em desenvolvimento – não tem acesso a um veículo. De acordo com dados do Banco Mundial, cerca de 10% da população global vive em extrema pobreza, e milhões de pessoas continuam sem acesso ao transporte privado, dependendo de alternativas mais precárias, como transporte público deficiente ou até mesmo caminhadas longas para se deslocar.

Por outro lado, uma minoria privilegiada, principalmente em países desenvolvidos ou em áreas de classes mais altas, ostenta vários carros em suas garagens. Muitos desses carros são usados apenas em ocasiões especiais, ou até mesmo como colecionáveis, impulsionando ainda mais a produção e o consumo de veículos, enquanto muitas pessoas lutam para acessar o básico.

Esse contraste entre a excessiva posse de carros por poucos e a falta de acesso ao transporte privado por muitos agrava a desigualdade social e as disparidades no planejamento urbano, refletindo um modelo que privilegia a elite enquanto deixa a maior parte da população sem opções de mobilidade eficiente e sustentável.

A questão central não é ser contra o carro, mas sim contra o excesso de veículos por pessoa e a priorização indiscriminada desse meio de transporte. Esse modelo urbano resulta na necessidade constante de mais viadutos, avenidas e estacionamentos, transformando a paisagem das cidades e impactando negativamente o bem-estar da população. No Brasil, essa tendência é evidente. Salvador, por exemplo, quase dobrou o número de viadutos em 12 anos, passando de 29 em 2012 para 54 atualmente. No entanto, estudos apontam que esse tipo de obra pode, na verdade, intensificar os congestionamentos.

Em São Paulo, após a ampliação de uma via, a lentidão média em dias úteis aumentou até 80% em quatro anos, mesmo com um crescimento de 17,5% na frota de veículos. Ou seja, em vez de solucionar os problemas de mobilidade, muitas dessas intervenções acabam incentivando ainda mais o uso do carro e piorando os desafios urbanos. Mesmo a adoção de veículos elétricos, que reduzem a emissão de gases poluentes, não resolve o problema central: as cidades continuam sendo desenhadas para os carros. Engarrafamentos, perda de tempo no trânsito e o sacrifício de áreas verdes para expansão viária ainda são grandes desafios.

A solução para esses problemas está em um planejamento urbano mais inteligente e sustentável. Apostar em transporte público de qualidade, ampliar ciclovias e criar espaços pensados para pedestres são algumas das estratégias já adotadas por cidades ao redor do mundo.

E é aqui que entra o seu papel, urbanista! Você pode fazer parte dessa transformação ao repensar o desenho das cidades e propor soluções que realmente equilibrem mobilidade, meio ambiente e qualidade de vida. O futuro das cidades depende das escolhas que fazemos hoje. Não perca a segunda parte desta matéria, onde veremos o que os grandes arquitetos e urbanistas têm a dizer sobre o futuro das cidades!

About Post Author

Mariana Bastos

Arquiteta determinada e apaixonada por desafios. Além de atuar como analista comercial, é mestranda em climatologia na UECE, buscando aplicar seu conhecimento sobre o impacto do clima no ambiente e nas construções. Fora do trabalho, Mariana se destaca por sua facilidade em fazer amizades e seu amor por bons momentos com comida, bebida e amigos. Fiel e sempre pronta para apoiar quem ama, ela equilibra sua vida entre estudos, carreira e diversão.
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