Não se preocupe, muita coisa pode (e vai) mudar!
As ideias de como trabalhar com a arquitetura podem mudar com o curso da faculdade e é isso que vale a pena, não acha?
As ideias de como trabalhar com a arquitetura podem mudar com o curso da faculdade e é isso que vale a pena, não acha?
Em uma perspectiva política, o solucionismo tecnológico está intimamente ligado com o neoliberalismo. Se o neoliberalismo é uma ideologia proativa, o solucionismo é reativo.
Nós precisamos estar mais atentos às pessoas do que a arquitetura, elas são peças chaves e temos que observar o comportamento delas dentro dos projetos.
O ensino ambiental deveria estar presente desde a formação inicial, por isso são importantes as ações do GIA.
Você já parou para pensar como as profissões estarão daqui a 10, 20, 30, 40 anos? Algumas vão ser mantidas, muitas passarão por extremas mudanças e outras serão extintas, como ocorreu com os Pin Boys.
Se antes a atividade de projeto dispensava algumas centenas ou milhares de horas para a representação e expressão por meio desenhos e maquetes físicas, agora existem softwares e equipamentos que possibilitam a realização de tais atividades de forma muito mais ágil, principalmente para formas com regras complexas. Estamos falamos de maquetes eletrônicas, CAD (desenho auxiliado por computador), parametrização, design generativo, prototipagem, impressão 3D, realidade virtual e realidade aumentada, etc. Existem perdas nesse processo digitalizado, mas é um tema para um outro texto.
Ainda, softwares e aplicativos também podem tornar o usuário leigo cada vez mais autônomo para algumas atividades, como por exemplo o simulador de cores de um fabricante de tintas ou fornecendo requisitos para um algoritmo de design generativo, ou conseguir elaborar um layout básico. Na verdade foi essa plataforma (figura 2) que nos instigou a escrever esse artigo: o que acontecerá com as profissões, por exemplo, a arquitetura e urbanismo neste cenário informatizado?
A grande questão diz respeito ao uso da tecnologia, e não o seu desenvolvimento em si. As mudanças são diversas, tanto em desenvolvimento de recursos tecnológicos como em demanda de serviços, sendo cada vez mais exigido dos profissionais a inserção e atualização contínua desses recursos em suas atividades.
Nós, humanos, apresentamos habilidades físicas e cognitivas. Conforme Harari (2018) explica, por muito tempo as máquinas ocuparam apenas espaços de trabalhos físicos (substituindo os pin boys, por exemplo). Porém, após o desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), esta tem realizado trabalhos cognitivos que podem superar as habilidades humanas (identificar padrões de interação, emoções, tomada de decisão, etc). Veja como a Sophia se sai muito bem em uma entrevista na Arábia Saudita, primeiro país do mundo a conceder cidadania a um robô, ela Sophia ou surpreenda-se com o filme Im Mother (Netflix), figura 3.
A partir dessa perspectiva de viver sempre em adaptação às novas tecnologias, é sempre válido lembrar que as mudanças em uma área de trabalho acarretam mudanças sociais, e não apenas para a profissão em si. Porém, não é mais possível parar o desenvolvimento de recursos tecnológicos no cotidiano, devido também às questões econômicas, políticas e sociais decorrentes.
E nós, seres humanos, o que faremos?
Com o que trabalharemos?
Quais atividades nos restarão?
Qual será o papel do arquiteto no futuro não tão distante?
O trabalho sempre vai mudar. O que deve ser pensado é que existe uma pessoa que passa por essa transição entre gerações. Como é possível desenvolver mecanismos sociais para que ela aprenda uma nova profissão e continue tendo um papel produtivo? Quais as condições que esse profissional tem de refinar sua prática incluindo recursos tecnológicos? Ou, é possível que ele desenvolva uma nova prática a partir da tecnologia? Até quando?
Visto que os trabalhos mudam ao longo dos anos e as pessoas permanecem precisando de trabalho, Harari (2018) apresenta um caminho: a perspectiva de que devemos desenvolver mecanismos sociais para cuidar das pessoas que exercem ou costumavam exercer certa profissão, e não do seu trabalho em si. Neste sentido, podemos citar como exemplo o experimento da Finlândia sobre renda mínima universal. Concluímos o texto com uma reflexão do Stephen Hawking.
Stephen Hawking, (livre tradução das autoras) Fonte
HARARI, Yuval Noah. Sapiens: Uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM Editores S. A., 2018. ISBN: 978-85-254-3218-6.
PINHEIRO, Kelma; CAMPOS, Monique Andrade. Como serão as profissões no futuro?. Projeto Batente, Fortaleza - CE, 11 novembro de 2019. Resenha. Disponível em: <https://projetobatente.com.br/como-serao-as-profissoes-no-futuro/>. Acesso em: [-dia, mês e ano.-]
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